“No ensejo das “festividades” de hoje (25/03/2008), quero fazer um agradecimento. Sim, um agradecimento: À todo atleta americano, que durante todas as fases e contextos, lutou bravamente contra os desmandos das arbitragens em clássicos. À todo presidente que não se intimidou e encarou as imposições alvinegras em qualquer bastidor. À todo aquele da comissão, do corpo dos funcionários, membro do conselho que de alguma forma contribuiu para o América fazer frente à este obscuro poder.
E agora, à torcida americana. É ela que luta verdadeiramente contra tudo e contra todos, chora com a derrota, com a vitória, briga pelos interesses do clube, defende o América numa simples conversa de botequim às solenidades mais formais. É a que vai para o estádio, grita como se fosse 100 do outro lado. Fica indignada com tanto protecionismo e conivência de instituições, como a FMF, cujo presidente é “só” um conselheiro vitalício do alvinegro.
Para o americano é que vai essa homenagem . É você quem ouve os apoio nas ruas com alguém que te solidariza. É você quem ouve constantes zombarias de alienados maria-vai-com-as-outras que não possuem nenhum senso crítico, quanto mais saber das “razões” da escolha do time do coração.
É para você, “espartano”, lutador, guerreiro americano, brasileiro ( não desiste nunca) , mineiro ( ápice do tradicionalismo ), como Ghandi defronte o império inglês, como o “asteca” diante do conquistador espanhol, como Martin Luther King contra a segregação e Mandela contra os absurdos étnicos, como os judeus e russos contra o massacre nazista, os palestinos e judeus contra as imposições territoriais, como Spartacus contra Roma, enfim, como a torcida do América contra esse império do mal alvinegro respaldado e massificado pela mídia.
“Nascemos” no dia 30/04/1912, para bater de frente contra as “forças do mal”. O verde da esperança contra o preto do luto. O verde dos jovens garotos entre 13 e 14 anos, que enfrentaram o time alvinegro ( de jovens com 17 anos de idade!) e vencendo num histórico 1 a 0 no primeiro clássico ( batalha) travado. O verde de um clube que nunca mudou de nome, sempre teve o mesmo escudo, o verde que só passara para o vermelho num grito sufocado e isolado contra os abusos do profissionalismo marrom, por simplesmente AMAR demasiadamente essa camisa. O verde da luta do soerguimento, da volta ao lugar a qual nunca deveria ter saído.
Diante disso, nessa data, da maneira mais voraz de lutar contra tudo e contra todos, uma simples frase, mas com o mais complexo dos sentimentos:
América Futebol Clube: eu te amo.”
Texto de Mário Cesar de Oliveira
Mário César Monteiro de Oliveira Filho, historiador e colunista esportivo, quarta geração de americanos, em texto redigido no ensejo do centenário do rival clube atlético mineiro.

